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Ivan Júnior e Alberto Luís iniciam uma nova história política no Assu
Os adversários não contaram com o efeito globalizante da liberdade. Aliás, gritaram muito por “liberdade” e o povo livre há muito tempo apostou e votou na capacidade administrativa dos jovens candidatos
Leonardo Sodré
Jornalista
O candidato da coligação ‘Assu Mais Forte’, Ivan Júnior (PP) e o seu vice Alberto Luis, conseguiram ontem, 5, derrotar com uma ampla margem de votos os candidatos da governadora Wilma de Faria, Fátima Moraes (PSB) e o seu vice, Arnóbio Abreu (PMDB). Ivan Júnior obteve 17.555 votos contra 13.487 de Fátima Moraes. Uma diferença de 4.068 votos, que representou a preferência do eleitorado por Ivan de 56,55%. “Nossa vitória já havia sido prevista durante as pesquisas realizadas. Três ao todo, que mostraram não somente que estávamos ganhando a campanha, como também um crescimento percentual a cada pesquisa realizada”, disse Ivan Júnior.
“Agora vou cuidar da transição do governo para iniciar minha administração em janeiro de 2009 exatamente como me comprometi com todos, ou seja, buscando o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida de todos os que habitam o nosso município”, lembrou. “Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os que optaram pela nossa candidatura e dizer que governarei para todos e que vou procurar parcerias com o governo do Estado e com o governo Lula para trazer benefícios para a minha querida Assu, porque da nossa parte não fica nenhuma mágoa. A campanha passou e agora é hora de trabalhar muito”, encerrou.
O bioquímico Ivan Júnior e o advogado Alberto Luís pautaram sua campanha na divulgação de propostas e percorreram todo o município pedindo votos e mostrando os seus planos para administrar de forma moderna o município. A estratégia atraiu centenas de militantes e caiu no gosto popular.
Com recursos financeiros limitados em relação a sua adversária, os candidatos tiveram que contar com dois fatores que foi predominante durante toda a campanha. Trabalho e criatividade. O trabalho consistia em dinamizar as visitas a todos os recantos e a criatividade girou em torno da melhor forma de divulgar seus planos. A descontração e a alegria também foram bastante usadas pelos candidatos, que não recusavam idéias que iam surgindo da população, como os vários símbolos de campanha nascidos no seio da população e prontamente incorporados ao dia-a-dia da campanha, como o aviãozinho.
Ajuda inesperada
Na sua trajetória rumo a Prefeitura do Assu o candidato Ivan Júnior contou várias vezes com a ajuda inesperada do marketing da sua adversária, que mesmo no início da campanha pautou o discurso de Fátima Moraes para acontecer de forma agressiva, sempre tentando relacionar Ivan ao prefeito Ronaldo Soares. Foi quando ela cometeu o primeiro erro, chamando Ivan de “moleque” durante um comício. Ora, Ivan que tinha realizado um trabalho extraordinário como Secretário de Saúde do Município e em outros órgãos de Saúde, inclusive em Mossoró, é conhecido no município como uma pessoa séria e determinada.
A resposta
A resposta foi dada pelo próprio Ivan, que ao invés de atacar Fátima Moraes, pediu publicamente que ela o respeitasse. Mas, o fato serviu para que o candidato criasse mais um projeto em favor das crianças e adolescentes do município, quando alguém da sua equipe sugeriu: “Que tal criarmos uma rua de lazer alternadamente aos domingos com o nome ‘Molequinho cidadão’, onde as crianças e os adolescentes tivessem lazer, esporte e cultura, como teatro ao ar livre, oficinas de pinturas, entre outras coisas?” Pronto, estava criada mais uma proposta do candidato em favor do povo. Era Ivan tirando proveito inteligentemente do estilo agressivo de Fátima.
Mais ajuda
Mas, a ex-secretária de Articulação com os Municípios continuou utilizando o estilo de acusar, minimizando suas propostas, principalmente quando, a partir de 19 de agosto foi possível a divulgação do programa eleitoral gratuito de rádio. E, enquanto Ivan divulgava o seu plano de governo a cada programa veiculado, Fátima tentava relacionar a administração de Ronaldo Soares ao candidato, chamando Ivan Júnior de ‘Ronaldinho-tudo-igual’, por meio do personagem “Jatinho”, que sobrevoava a casa do prefeito e acusava os problemas naturais de qualquer cidade em crescimento.
Passeatas & Arrastões
Foi à consagração do maniqueísmo, que havia surgido de forma natural desde o início da campanha. Ivan realizava passeatas e Fátima arrastões. Ora, arrastão foi uma criação de bandidos no Rio de Janeiro há cerca de uma década, inaugurado em Copacabana, quando centenas deles invadiram aquela praia carioca para roubar tudo o que encontravam pela frente. Sucederam-se várias passeatas e carreatas, sempre simbolizadas por nomes positivos, como ‘bem’, ‘paz’, ‘respeito’, etc.
Debate
Depois veio o debate que foi transmitido pela TV União e pelas três rádios existentes no município: Rádio Princesa do Vale, 104 FM e 89 FM. Antes do evento, no palanque de Fátima e Arnóbio, eles ironizavam Ivan. Num discurso Fátima perguntou a Arnóbio que Ivan teria coragem de comparecer ao debate e Arnóbio respondeu que não. “Ele sempre foi um fujão”, declarou. A declaração do jovem peemedebista soou estranha. “Fujão? - Alguns se perguntaram -, de que Ivan Júnior fugiu?”. Nesse ponto em diante, muita gente, que ainda não havia se decidido em quem votar, começou a pensar nas declarações e acusações infundadas. Veio o debate e o candidato progressista compareceu e debateu de forma serena e tranqüila, sem fugir de nenhuma pergunta, no seu estilo simples e direto.
Fraude
Mas, dois goles contra praticando pela candidata Fátima Moraes ocorreram durante os seus dois últimos programas de rádio, veiculados às 7h e 12h do dia 01 de outubro. Às 7h o programa da candidata veiculou uma fala do presidente Lula para Fátima Bezerra (PT), que disputava a Prefeitura de Natal, com cortes visíveis para que parecessem ser dirigidas a Fátima Moraes. No início da manhã alguns partidários da sua candidatura se perguntavam por que a candidata não havia veiculado antes esse tão importante apoio antes do último programa de rádio.
A fraude com a voz do presidente Lula foi denunciada pela imprensa e pelo Partido dos Trabalhadores (PT) a Justiça Eleitoral.
A principal repercussão do segundo gol contra do dia, foi quando no horário das 12h a voz do presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Filho (PMDB) foi colocada no ar, por meio de uma montagem grosseira, como se ele pedisse votos para Fátima Moraes (PSB). Logo após a veiculação o senador Garibaldi, que havia decidido ficar neutro no Assu, onde o candidato a vice de Fátima, Arnóbio Abreu era do seu partido, se irresignou. Quando ouviu a gravação e decidiu: “Vou subir no palanque de Ivan Júnior”.
Na última quinta-feira, 2, último dia da campanha, Garibaldi subiu no palanque de Ivan Júnior e Alberto Luís e desfez a fraude em torno do seu nome, aproveitando para pedir votos para os candidatos da coligação ‘Assu Mais Forte’. E acrescentou: “Estou enojado com essa fraude”.
A notícia da fraude com Garibaldi teve repercussão nacional em vários sites de notícias importantes, como o JB Online, que chegou a divulgar declarações da candidata Fátima Moraes, que admitiu a veiculação da montagem, mas que afirmou não ter tido conhecimento da montagem, culpando o seu marqueteiro, Berger, que não se pronunciou.
Imagem
A campanha do Assu serve agora para uma reflexão em torno do uso de imagens de políticos conhecidos a candidatos que não tenham algo novo a acrescentar ou que tenham uma grande rejeição. Em nenhum momento a presença da governadora, uma campeã de votos, que já derrotou sozinha vários políticos tradicionais, somou votos para Fátima Moraes. O mesmo se deu em Natal com Fátima Bezerra, que trouxe o presidente Lula para o seu palanque, assim como o senador Garibaldi Filho, o deputado Henrique Eduardo, o prefeito Carlos Eduardo (PSB), a governadora Wilma e perdeu no primeiro turno para Micarla de Souza, que durante anos acumulou simpatias por meio de sua TV Ponta Negra. O ‘acordão’ de Natal não desceu pela goela dos eleitores.
Enquanto isso, Ivan Júnior usava a estratégia de não anunciar ninguém no seu palanque e conclamava a população para os seus eventos políticos anunciando a presença de “sua excelência, o povo do Assu”, mesmo que políticos importantes estivessem v